Isto é a Liga Inglesa. Num campeonato tão competitivo, o quarto lugar não é nada mau. E garante a décima sexta presença consecutiva na divisão de elite europeia, o que também não é para qualquer um. Claro que depois de passar metade da época no topo da classificação, a alimentar o sonho de um título que escapa há dez anos, fica uma sensação de vazio. Felizmente, para os Gunners a temporada ainda não terminou. Domingo, em Wimbledon, terão uma excelente oportunidade para, finalmente, porem as mãos num troféu. Uma oferenda para alegrar os adeptos que pode também funcionar como motivação para o próximo ano. Mas será que o Arsenal tem essa mentalidade vencedora, tão necessária para enfrentar os momentos decisivos?

Entrada de leão

A derrota, no jogo inaugural, frente ao Aston Villa, nos Emirates, preparou o espírito dos adeptos. “Lá vamos nós!”, foi, certamente, o pensamento dominante. A equipa até joga bom futebol, tem jogadores talentosos, mas falta-lhe a força mental, a capacidade de superação, que define os vencedores. E só para contrariar as expetativas, Wenger foi buscar Mesut Ozil ao Real Madrid, gastando o que nunca se tinha visto o Arsenal gastar. O simbolismo do gesto não escapou a ninguém, sobretudo dentro do balneário. Os Gunners estavam a apostar forte na nova época, já estavam fartos de vitórias morais. Embalado por estes sinais, o plantel correspondeu e o Arsenal desatou a ganhar jogos. Foram dois meses sem perder, e já todos perguntavam se era para levar a sério? Se tivermos em conta apenas os jogos da liga, na primeira volta, além do Villa, os Gunners só foram derrotados pelos dois de Manchester. Cento e vinte e oito dias no topo da classificação, mais do Chelsea e Liverpool juntos. O suficiente para que, semana a semana, o sonho fortalecesse. Acrescente-se a isso uma boa fase de grupos na Liga dos Campeões, e o apuramento para a etapa final da prova, sobrevivendo ao Dortmund e ao Napoli.

Saída de sendeiro

E de repente, entre Fevereiro e Março deste ano, o trambolhão. Começou com o cinco a um, em Anfield. O Arsenal não contava com isto e uma humilhação destas abala qualquer grupo, o que dizer de um que não prima pela confiança. Seguiu-se a eliminação da Liga dos Campeões, frente aos campeões em título, o Bayern de Munique, e novo descalabro, seis golos sem resposta frente ao Chelsea. O grupo estava de rastos, física e mentalmente. Aaron Ramsey lesionou-se no Boxing Day, Theo Walcott rompeu os ligamentos cruzados uma semana mais tarde, o que implicou quatro e seis meses, respetivamente, de fora da competição. Jogadores que antes tinham feito a diferença – como Ramsey, Walcott, Wilshere, Ozil ou Giroud – estavam ou lesionados ou fora de forma. Em dois meses passam de candidatos ao título a ter que lutar pelo quarto lugar, com o Everton à perna.

Temer os grandes

Arsene Wenger

Fim da linha para Wenger?

Há outro facto incontornável, o Arsenal fez os resultados que eram esperados diante das equipas do meio e fundo da tabela. Foi com os adversários diretos que fraquejou, sobretudo nas deslocações ao terreno dos grandes, e isso é significativo. Empataram em casa com o City (1-1), mas pesada derrota fora (6-3). O mesmo aconteceu com o Everton, 1-1 e três sem resposta. Já com o Liverpool venceram nos Emirates (2-0) e levaram cinco a um fora de portas. Mourinho não lhes deu hipótese e perderam a toda a linha, sofrendo dois em casa e seis em Stamford Bridge.

Como dizia Lucas Podolski esta semana, aos jornais ingleses, o Arsenal tem que se tornar um emblema que anseia pelos grandes embates, em vez de se encolher à espera do desastre. É essa a lição a tirar da temporada. “Perdemos para os clubes que estavam à nossa volta, Manchester City, Liverpool e Chelsea, e esses pontos fizeram a diferença.” Só essa mudança de chip permitirá que os Gunners cheguem ao título, só não sei se essa transformação é possível com o Arsène Wenger.

Taça à vista

O Arsenal venceu pela última vez uma Taça de Inglaterra em 2005, o último campeonato na época anterior, 2003/04. Já lá vão nove temporadas sem um troféu para amostra, uma dura e pesada realidade para o fans. Assim sendo, Domingo é a oportunidade que os Gunners esperavam há muito, um jogo só para decidir quem leva para casa o “caneco”, e o adversário nem é dos que faz tremer o grupo do Norte de Londres. Frente ao Hull City, Wenger tem, este ano, um recorde imaculado: duas vitórias, cinco golos marcados e nenhum sofrido.

Boas Apostas!