Arsène Wenger disse recentemente que teme a reforma mas a julgar pelas ações de adeptos e dirigentes dos Gunners há quem tenha mais medo do que o próprio. O treinador está a cumprir duas décadas à frente do Arsenal e foi três vezes campeão inglês, a última vez há já treze temporadas. Wenger insiste que o clube londrino está ativo no mercado de verão mas, aparentemente, não encontra nada que lhe encha as medidas. Entretanto, ao lado, treinadores ambiciosos e com provas dadas reforçam os rivais. Dentro deste contexto, é ainda possível considerar o Arsenal como um candidato credível ao título?

Oportunidade desperdiçada

O francês insiste que o Arsenal está ativo no mercado e que há dinheiro para gastar. MAs não vai comprar à maluca.

O francês insiste que o Arsenal está ativo no mercado e que há dinheiro para gastar. MAs não vai comprar à maluca.

Na temporada passado Arsène Wenger teve uma oportunidade de ouro para vencer a Premier League. Os habituais candidatos crónicos a vencer a prova tiveram cada um o seu desastre mais ou menos anunciado. O Chelsea implodiu; o United continuou a arrastar-se e o City deu a época por perdida a meio, limitando a esperar a vinda de Guardiola. E mesmo assim, com a total falta de comparência desses pesos pesados, o Arsenal conseguiu deixar escapar o momento. Os adeptos festejaram o roubo do segundo lugar ao Tottenham na última jornada mas ficar a dez pontos do Leicester era razão para suspender os festejos. Mais uma vez o clube londrino passou a fase de grupos da Liga dos Campeões para cair na ronda seguinte. Pelo menos o adversário (Barcelona), dessa vez, justiça o afastamento.

São vinte anos de Wenger à frente dos Gunners. O tremendo impacto que teve no início vai-se diluindo ao ponto de ser cada vez mais contestado. E a verdade é que o francês faz pouco para ajudar a sua causa. Conquistou três títulos de Inglaterra em duas décadas de tentativas. Mas o mais preocupante é um aparente desfasamento com a realidade da Premier League atual.

Desfasado com a realidade

Wenger teme a reforma mas direção do Arsenal parece ter tanto ou mais medo desse dia.

Wenger teme a reforma mas direção do Arsenal parece ter tanto ou mais medo desse dia.

Ainda esta semana Arsène Wenger insistia que o Arsenal continua ativo no mercado de verão. Só que, aparentemente, não encontra nadinha que lhe apeteça trazer para o Emirates. E ainda acrescenta que não é uma questão de dinheiro, ao que parece há verba para ir às compras. Só que o francês não está disposto a ceder nos seus exigentes critérios. Também dá a ideia que os valores do mercado são exorbitantes. Eu até posso concordar que se paga balúrdios por jogadores que talvez não valham tudo isso. Mas essa é uma discussão filosófica de fundo. A questão, neste momento, é que o mercado é o que é, os rivais estão a reforçar-se fortemente, e o Arsenal, quer o seu treinador queira ou não, tem sérias lacunas. Também podemos argumentar que nem todas são resolúveis com reforços. Os Gunners não têm um banco capaz para quem quer competir num dos campeonatos mais competitivos do mundo e ainda lutar na Liga dos Campeões. Não me vou pronunciar sobre os prováveis titulares porque entendo que preencher os requisitos de quem constrói o onze. As opções para a posição de homem mais avançado da equipa, pelo menos para as primeiras partidas oficiais, são Alexis Sánchez, que não é um avançado e regressa de uma lesão no tornozelo, e Chuba Akpom, um miúdo de vinte anos que irá parar ao banco assim que Giroud esteja em forma.

O que o Arsenal tem para oferecer?

Mas neste verão percebeu-se outra coisa. Aparentemente, o Arsenal tentou aliciar tanto Jamie Vardy como Riyad Mahrez e levou negas de ambos. E não terão sido os únicos. Shkodran Mustafi não ficou particularmente lisonjeado pelo interesse dos londrinos em si, muito menos pela verba sugerida. Há de facto um incremento de vencimento muito considerável, mas um jogador com mercado pensa duas vezes antes de se enfiar no Emirates. As possibilidades de títulos não são particularmente fortes e a o Leicester, por exemplo, dará a esse jogadores a mesma possibilidade de se mostrarem na Liga dos Campeões.

Esta pode muito bem ser a última temporada de Wenger no comando dos Gunners. O francês já disse que teme a dia da reforma, o vazio que vai ficar depois de tantos anos embrenhado no vício. A sua sorte é que a direção do Arsenal teme tanto ou mais esse dia. Mas até quanto será possível manter este estatuto de eterna segunda linha? Enquanto projeto o Arsenal perdeu capacidade de seduzir jogadores de topo.

Boas Apostas!