Começou ontem a primeira noite dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Hoje segue-se a segunda noite. Mas serão 4 noites para os oito jogos da primeira-mão de uma eliminatória que vai elevar 8 equipas à elite. Dos campeões. Da Liga dos Campeões.

Este início está assim dividido por 4 noites em 2 semanas. Na primeira-mão.

E tudo começou com empates. Empates de campeões. E empates de sobreviventes. Empates de novos-ricos, de aristocratas e proletários.

O Chelsea de José Mourinho foi empatar a 1 golo ao Parque dos Príncipes com o PSG de Zlatan Ibrahimović. Os novos-ricos anularam-se.

O Bayern Munique foi empatar a zero golos a uma Ucrânia em guerra, com o Shakhtar Donetsk. A aristocracia foi parada pelos proletários.

Em jogos nulos, embora sem nulidade futebolística, houve quem resistisse e quem não conseguisse ir mais além. Para uns foi um resultado lisonjeiro, para outros soube a muito pouco. Mas no fundo todos parecem ter saído satisfeitos da refrega.

Tendo em conta que, daqui a umas, poucas, semanas teremos a segunda-mão da eliminatória, haverá ainda tempo para inverter caminhos e resultados. Ou não.

Uns Ingleses em Paris

Nos dois jogos de ontem, o de Paris foi o único em que houve golos. Um para cada lado.

Começou melhor o Chelsea que, a jogar fora, inaugurou o marcador ainda na primeira parte, aos 36′, por intermédio do lateral sérvio Branislav Ivanović que, de cabeça, direccionou a bola para o interior da baliza de Sirigu. De qualquer forma, este foi o único remate à baliza, em todo o encontro, da equipa de José Mourinho.

David Luiz

David Luiz, que jogou mais adiantado, teve nos pés a possibilidade de vitória perante a sua antiga equipa

Foi só na segunda parte que o PSG, mais atacante, mas nem por por isso mais acutilante, conseguiu chegar ao golo e refazer o empate, por intermédio do avançado uruguaio Edinson Cavani, que bateu o guarda-redes Courtois, em noite muito inspirada, também de cabeça. Cavani voltaria a ter, pelo menos, mais uma flagrante oportunidade de golo, mas não conseguiu voltar a ser tão feliz.

O PSG foi uma equipa muito mais pressionante que o Chelsea que posicionou-se na defesa, sem no entanto abdicar de tentar atacar, mas consciente que, com Zlatan Ibrahimović, todo o cuidado é pouco.

Além do mais, estes ingleses, que são mais mais uma united colours, aliás, como os franceses do PSG, sabiam que depois iriam receber o mesmo adversário em Londres e, como tal, bastava-lhes conseguir manter um resultado que não fosse negativo. O empate é um resultado que lhe assenta bem. E bem lisonjeiro. Pelo que o PSG jogou e atacou, e pelo que Thibaut Courtois defendeu. Um verdadeiro gigante entre os postes.

É que os franceses bem que tentaram, mas (quase) sempre em vão. Salvou-se (salvou-os!) o golo de Cavani. Mas bem insistiram, os homens de Laurent Blanc. Fosse pelos seus avançados (Cavani e Ibrahimović), ou pelos seus defesas (David Luiz, pois então! embora estivesse a jogar como médio).

José Mourinho, bastante consciente do jogo, veio, no final, convergir nas afirmações de que o empate a 1 bola tinha sido muito bom para a sua equipa, pois o PSG jogou mais e melhor, teve mais oportunidades e o Chelsea poderia, perfeitamente, ter perdido o encontro.

A honestidade de José Mourinha tem a vantagem de ainda faltar um jogo para dicidir a passagem aos quartos-de-final. Este não era um jogo decisivo. Importante. Mas não crucial. Por isso dá a mão à palmatória. À espera de poder vir a inverter o rumo dos acontecimentos. Até porque o Chelsea de José Mourinho é um dos principais candidatos a vencer a Liga dos Campeões. Vamos a ver se o PSG não se agiganta.

Bávaros numa Terra em Guerra

O outro jogo desta primeira noite da primeira-mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, aconteceu em terra de confrontos: na Ucrânia.

Shakhtar 0 - 0 Bayern 2015

Num jogo que só teve um sentido, o momento da expulsão de Xabi Alonso poderia ter mudado o rumo dos acontecimentos. Não mudou

Agora já em terra de cessar-fogo, o Bayern Munique dirigiu-se a Lviv, onde foi defrontar o Shakhtar, de Donetsk. Embora sem competir há algum tempo, por causa do Inverno, os homens da equipa ucraniana estiveram mês e meio a estagiar no solarengo Brasil. Este foi o seu primeiro jogo oficial em 2015. E tendo em conta que jogaram contra os campiões alemães, comandados por Pep Guardiola, o empate a zero é um resultado que acenta bem aos ucranianos, embora seja amargo para os alemães. Alemães que, lembre-se, vêm de uma vitória por 8 a 0 com os compatriotas do Hamburg, para a Bundesliga.

Começaram assim os alemães, numa entrada de leão, tentando resolver o jogo bem cedo. E muito o tentaram. Acercaram-se da baliza de Andriy Pyatov, mas uma grande noite do guarda-redes ucraniano e uma defesa bastante coesa, afastaram as pretensões bávaras.

A equipa de Pep Guardiola pode queixar-se de alguma falta de sorte (em todo o encontro, o guarda-redes alemão, Manuel Neuer, não deve ter efectuado nenhuma defesa digna do nome), tal o insistente ataque com que metralhou os ucranianos, mas a verdade é que nunca, por uma vez que fosse, conseguiram entrar dentro da baliza de Pyatov.

Aos 65′ de jogo, Xabi Alonso viu o segundo cartão amarelo e foi expulso, ficando o Bayern com 10 jogadores. Poderia ter sido o momento do jogo. Poderia ter sido o momento em que a equipa de Mircea Lucescu arrancaria, finalmente, para o ataque e tentar ultrapassar o último reduto alemão e força-los à derrota, mas tal não aconteceu. Mesmo com um jogador a mais, a verdade é que o Shakhtar Donetsk continuou no seu joguinho defensivo, tentando não perder o jogo em casa frente aos campeões alemães.

Estará tudo em aberto para o jogo da segunda-mão, em Munique, mas mais aberto para uns que para outros. Se é verdade que o Bayern tem de se esforçar um pouco mais, parece ser dificil que o Shakhtar consiga fazer a Munique o que não conseguiu fazer na Ucrânia, contra 10. Mas o Shakhtar está, somente, a tentar sobreviver entre a elite.

Boas Apostas!