Logo à segunda jornada da Liga NOS, os três grandes encontraram dificuldades inultrapassáveis e acabaram a perder pontos. Sábado foi a vez de Sporting e FC Porto empatarem as suas partidas, para que, no domingo, o Benfica caísse com mais algum estrondo, ao perder em Aveiro, casa emprestada do Arouca. Aliás, os arouquenses são, neste momento, a única equipa a contar por vitórias os jogos disputados na Liga portuguesa.

As dúvidas do Benfica

Pior do que perder, para o Benfica, é o facto dos encarnados continuarem a demonstrar problemas graves na organização da sua equipa. O jogo começou da pior forma para o conjunto de Rui Vitória, com um claro erro de cobertura defensiva a permitir que Roberto surgisse isolado na cara de Júlio César. O Arouca tinha, em plano, duas formas que criar problemas: ou procurar as costas de Eliseu, em velocidade, ou deslocar Roberto para a faixa esquerda, aproveitando as lacunas de Nélson Semedo no posicionamento. A estes problemas juntaram-se erros de Luisão, sobretudo de leitura, o que permitiu ao Arouca continuar a provocar problemas durante toda a primeira parte, salvando-se os encarnados, uma vez mais, com uma excelente exibição de Júlio César.

Nelson Semedo Benfica Arouca

Fragilidades defensivas para os encarnados

Rui Vitória procurou, em desvantagem, preencher todos os espaços no terreno ofensivo, de maneira a poder aproveitar qualquer deslize da defensiva arouquense. O erro do Arouca não surgiu e o Benfica terminou o jogo culpando o azar de não acertar com a baliza adversária, quando o problema parece ser, em primeira instância, faltar uma ideia clara de como lá chegar. Depois, a organização defensiva do Benfica é hoje uma miragem do que já foi no passado recente, ficando claro que qualquer adversário a poderá explorar a seu bel-prazer.

Algo completamente igual

Há, no entanto, que marcar uma posição em relação aos resultados dos grandes. Um pouco ao contrário da jornada inaugural, onde os adversários de Sporting e Benfica jogaram de forma aberta em busca do resultado, falhando-o por muito pouco o Tondela, e ficando a vinte minutos de o conseguir o Estoril, a segunda jornada marca o regresso do anti-jogo à Liga NOS. Sentiu-se de forma mais leve em Alvalade, com o Paços de Ferreira a usar de estratégias para queimar tempo, algo que se repetiu, de forma incessante, em Aveiro.

As equipas têm inteiro direito a procurar a melhor forma para conquistar os seus pontos e atingir os seus objetivos. Têm, também, que recorrer a estratégias mais extremas quando as condições dos mais fortes estão tão afastadas das condições dos mais fracos, abrindo fossos que dificilmente podem ser ultrapassados. Mas, ao não encontrar outra forma de poder estar na partida do que a fazer anti-jogo, é o próprio valor da Liga NOS que perde e baixa. Os jogos perderam, imenso, em intensidade e espetacularidade, e por muito interesse que possa ter ver um grande a perder pontos, não vem daqui nenhum sinal de que o campeonato esteja equilibrado.

O Porto e a organização: questão recorrente

Herrera Porto Maritimo

Mais pontos perdidos na Madeira

Se Rui Vitória, com dois meses de trabalho, pode ver no tempo um problema para conseguir apresentar resultados, Julen Lopetegui não. Depois de uma temporada em que não ganhou nada e perante a necessidade de refazer o seu onze com um forte investimento no mercado, o técnico espanhol parece tão perdido como no passado. Sem abdicar da sua estrutura em campo, Lopetegui acaba por revelar que a sua ideia de jogo está demasiado presa ao posicionamento dos jogadores, não encontrando sequer espaço para nomes que vieram por exigência sua (o ano passado, Adrián Lopez, este ano, Alberto Bueno), condenando-os ao ridículo de passarem de promessas a desilusões sem poderem passar pelo tribunal do relvado.

Os pontos perdidos na Madeira fazem acordar um fantasma, mas tornam, sobretudo, evidente, a forma como o meio-campo da equipa está órfão de Óliver Torres, para falar da necessidade de um criativo no seio do conjunto. Toda a responsabilidade tem caído para cima de Brahimi, que acaba por não ser suficiente perante equipas que conseguem fechar-se bem no terreno de jogo. Com o Porto a receber o Estoril e o Benfica a receber o Moreirense na próxima jornada, ambas as equipas tentarão aproveitar o factor casa para conseguir regressar às vitórias.

Xadrez em destaque

Nota muito positiva para o Boavista que começa com quatro pontos em seis possíveis. Depois de empatar no terreno do Vitória de Setúbal, recebeu e bateu o Tondela. Perante dois adversários diretos na luta pela manutenção, a equipa axadrezada merece ser considerada o destaque da semana, por começar, de forma tão eficiente, a cumprir os seus objetivos.