É uma velha história que se vai repetindo em todos os campeonatos. A primeira volta oferece-nos surpresas e revelações que têm, na segunda volta, o encontro com o juiz da consistência, merecendo, ou não, a aprovação no final da temporada. À prova na segunda volta da Liga NOS estão equipas como o Vitória de Guimarães e o Belenenses, enquanto no fundo da tabela se espera para ver quem poderá alcançar a salvação na segunda metade da competição.

A vida depois de Hernâni

Sami Vitória de Guimaraes

Sami renasce em Guimarães?

Quanto valia Hernâni na estrutura e no sucesso do Vitória de Guimarães? O Vitória somou dois empates nos últimos dois jogos realizados pelo jovem que se transferiu para o FC Porto, e logo frente a equipas que estavam nos últimos lugares da tabela, o Penafiel e o Gil Vicente, pelo que não podemos culpar a sua saída pelo decréscimo de sucesso da equipa. A verdade é que o conjunto de Rui Vitória já sabia que tinha que ser diferente na segunda metade.

Acabado o fator surpresa, a equipa foi sentindo maiores dificuldades no meio-campo, onde o grande fulgor de André André vai escondendo fragilidades que Bouba Saré ou Cafú ainda revelam. A saída de Hernâni retira um certo nível de criatividade à equipa, mas o treinador até terá ficado satisfeito com as opções que viu chegar, já que Sami, Ivo Rodrigues e Otávio acabam por constituir-se como jogadores de um nível semelhante. Ricardo Valente, chegado do Leixões, parece ser outra rápida adaptação ao nível da Liga NOS, mas com equipas que conhecem melhor a estrutura e jogadores como Bernard, o Vitória de Guimarães terá uma missão bem complicada para segurar uma posição entre os candidatos à Europa.

Azul da cor da falta de comunicação

Rui Fonte Belenenses

Rui Fonte já marca vestido de azul

O Belenenses é um lugar estranho no panorama da Liga NOS. Desde o início da temporada que Presidente e Treinador parecem falar línguas bem diferentes, sendo este o clube onde, mais visivelmente, o técnico não tem uma palavra na contratação de jogadores. No entanto, e contra todas as previsões, Lito Vidigal continua a segurar o Belém no sexto lugar e, não fosse o golo sofrido nos descontos frente ao Sporting, poderia estar hoje a pressionar o Vitória de Guimarães para subir mais um posto.

A equipa dos azuis vive muito de jogadores como Miguel Rosa, que mantém o seu perfume no Restelo, e Deyverson, que saiu para o Colónia. No entanto, as somas de Carlos Martins e Rui Fonte no mercado invernal vêm até fortalecer as opções do técnico e oferecer capacidade para o conjunto se manter na primeira metade da tabela. Com a Europa como uma ambição talvez desmedida para as reais condições do clube, é a abordagem realista de Lito Vidigal e a enorme experiência da sua espinha dorsal que nos faz acreditar que o Belenenses poderá ser um dos casos que sobrevive à prova da segunda volta.

Estala o chicote na luta da manutenção

Nos últimos cinco classificados da Liga NOS, quatro já fizeram estalar o chicote e mudaram de treinador. A Académica foi quem o fez esta semana, levando à demissão de Paulo Sérgio, exatamente na ressaca da jornada em que a Académica caiu nos lugares da descida. No caso do Gil Vicente, os efeitos demoraram a sentir-se, mas duas vitórias consecutivas oferecem à equipa de José Mota a possibilidade de respirar. Longe, no entanto, de poder ficar tranquilo, num campeonato que se deverá continuar a jogar entre estes cinco elementos.

O Penafiel também mudou cedo de técnico, mas o problema dos penafidelenses parece ser mais estrutural do que técnico. A equipa não tem a dimensão para se conseguir manter na Liga e, apesar de ser, de tempos a tempos, demasiado forte para a Segunda Liga, também é raro o momento em que consegue demonstrar a capacidade para aguentar-se.

Quem parece candidato a novo milagre é o Arouca. Pedro Emanuel já nos habituou a este papel de sobrevivente que caminha sobre águas turbulentas, voltando a mostrar-se incapaz de empurrar a sua equipa para o meio da tabela, mas segurando-a à beira do precipício. No entanto, os arouquenses não poderão deixar de se preocupar com o que se vai passar em Coimbra. Existem vários técnicos com fama de salvadores no desemprego e, se um deles assinar pelos Estudantes, Pedro Emanuel poderá ter que rever a sua cartilha.