Da experiência na Arábia Saudita que se seguiu à saída do Futebol Clube do Porto ficam, para a posteridade, os hilariantes vídeos em que desfaz nos jornalistas sauditas num inglês… pouco ortodoxo, digamos assim.

Na hora de regressar a Portugal, fê-lo através do grande ecrã, integrando o painel de comentadores da RTP. Credibilizou a sua posição no futebol e, depois de muitas vezes ter sido questionada a sua liderança enquanto técnico do FC Porto, Vitor Pereira deu-se a conhecer como conhecedor do jogo, cativando o adepto durante o tempo de antena ao qual teve direito.

Certo é que o Olympiacos não terá recorrido aos seus serviços por aí.

Uma Grécia em Crise

Vítor Pereira na Arábia Saudita

Depois de ter sido campeão no FC Porto, o que fica da aventura de Vítor Pereira na Arábia Saudita são as suas explosivas conferências de imprensa

Olhando aos resultados somados no comando dos dragões, o pouco paciente Evangelos Marinakis encontrou no treinador natural de Espinho uma boa opção para suceder a Michel. Até à data em que escrevo estas linhas, a aposta tem-se revelado ganha: Vitor Pereira lidera a Ehniki Katigoria e só sabe vencer.

Num campeonato em decadência e marcado pela parca qualidade de jogo, o Olympiacos tem-se revelado quase que um oásis no deserto. Lidera com boa vantagem uma competição que, há cerca de duas semanas, viu uma das suas equipas (Niki Volos) desistir devido a profundos problemas financeiros.

Com um plantel composto e repleto de boas alternativas, a participação na Liga Europa constitui um importante aliciante para o que resta da temporada. O Dnipro é o adversário da formação ateniense nos 16-avos da prova, sendo que, na Taça grega, o Olympiacos também segue na luta. O AEK Atenas, vítima da crise e atirado para o segundo escalão do futebol grego, é o obstáculo a abater nos quartos-de-final. Alcançar o penta e consequente 42º título grego da história do clube parece ser tarefa muito bem encaminhada.

Organizado num 4x2x3x1, o Olympiacos de Vitor Pereira é uma equipa que privilegia a posse, gosta de ter bola e, num campeonato em que há uma grande décalage entre a equipa às suas ordens e os demais adversários, a proposta de jogo do técnico português assenta nestes trâmites. Tal como o próprio admite, gosta que as suas equipas tenham bola, sejam pacientes e procurem, desta forma, dominar as ações. No Pireu, esta situação tem-se verificado, e as próprias estatísticas não deixam mentir: a média da posse de bola, em jogos do campeonato, ronda os 62%.

Convenhamos que este aspeto não foi de difícil introdução, até porque esta filosofia já estava presente com Michel.

A Influência de Vítor Pereira

Sem bola, – e talvez seja aí que a influência de Vitor Pereira é já mais notória – a equipa prontifica-se a fechar espaço ao adversário, pressionando com critério e de forma agressiva. Salvaguarda os corredores mas não descura o espaço interior. Nota para o bom trabalho desempenhado pelo duplo-pivot do setor intermediário.

Vítor Pereira no Olympiacos

Até agora, no Olympiacos, Vítor Pereira chegou, viu e venceu

“Gosto de ganhar com intensidade e agressividade, essa é a minha personalidade, é o meu jogo, e é isso que vou tentar provar”, palavra de Vitor Pereira.

Para adicionar o seu cunho, tal como o próprio admite, procurará que a equipa jogue sobre o meio-campo adversário, mas sempre mantendo o equilíbrio.

Em construção, a equipa já apresenta boas dinâmicas, com a ajuda do duplo-pivot ou nas saídas pela ala. Os laterais – Salino e Masuaku – têm um papel importante, são autênticos alas. O trio do meio-campo é também bastante interessante, com El Chori Domínguez à cabeça a exercer um importante papel no capítulo ofensivo. Gozando de uma certa liberdade – com bons guarda-costas, diga-se – à semelhança do que acontece com Afellay, o argentino patenteia imensa qualidade a nível do último passe para servir Mitroglou, o goleador grego que ultimamente tem fechado o marcador na maior parte dos jogos da formação ateniense.

É, enfim, uma equipa competente tanto a nível coletivo como individual. As suas unidades demonstram estar cada vez mais identificadas com uma proposta de jogo que tem conhecido resultados positivos. Nota-se que há muito conhecimento do foro tático já incutido.

A pouco e pouco, a equipa revelará cada vez mais a identidade que Vitor Pereira ambiciona. Sem pré-temporada e em plena competição, é fácil inferir que o trabalho fica mais complicado. O contexto tem sido favorável – Vitor Pereira beneficiou de um deslize do PAOK mal chegou para assumir a liderança do campeonato –, mas é todo um processo que leva tempo.

Para já, são estes os sinais que ficam, dados pelas (positivas) primeiras impressões.

Boas Apostas!