Em dia de meia-final da Liga dos Campeões entre Diego Simeone e José Mourinho, a paixão é um tema recorrente nas previsões da partida. Isto porque o próprio treinador argentino trouxe o tema para cima da mesa ao afirmar, na conferência de imprensa de antevisão, que o Chelsea pode “ter melhores jogadores, mas nós [o Atlético Madrid] temos a paixão. No entanto, não poderemos ter uma visão tão redutora das duas equipas que entrarão no Vicente Calderón mais logo. Se, no que toca a quem tem os melhores jogadores, as opiniões se dividem, a verdade é que a paixão de Simeone tem muito daquilo que tornou Mourinho num dos grandes treinadores do futebol europeu.

Eu sou eu ou sou o outro?

O Atlético de Madrid luta, este ano, por todos os títulos, estando na frente da Liga BBVA e seguindo para esta eliminatória da Liga dos Campeões com, no mínimo, 50% das hipóteses de ser o vencedor. Foi uma conquista de Diego Simeone, sem dúvida, que chegou a Madrid, como treinador, em Dezembro de 2011, para substituir Gregorio Manzano, que deixou os colchoneros após uma série de maus resultados e a eliminação precoce na Taça do Rei. Mesmo chegando a meio da temporada, Simeone impôs o seu estilo e começou aquele que seria um crescimento inesperado para o segundo clube da capital espanhola. Nessa temporada venceu a Liga Europa, ao bater o Athletic Bilbao de Bielsa na final e no verão seguinte batia o Chelsea na Supertaça Europeia.

Nesta caminhada de Simeone podem assinalar-se alguns pontos de encontro com José Mourinho, que no seu tempo também surpreendeu a Europa ao levar o FC Porto a títulos na Liga Europa e na Liga dos Campeões. Aliás, a admiração que o argentino tem pelo português é reconhecida, mas no encontro de hoje, não se espera nenhum tipo de simpatia.

O que é a paixão?

Arda Turan Lampard

Nenhuma bola será dada como perdida

Ao olhar o Atlético de Madrid, o que podemos considerar como paixão? Será a capacidade do seu meio-campo perseguir adversários e reduzir-lhes espaços de progressão? Será a qualidade artística do barbudo Arda Turan que tanto rouba bolas como o maior dos patifes, como assiste para golo como o mais criativo dos pintores? Ou estaremos a falar das qualidades de Diego Costa que passa por ser um produto “Made by Simeone”, dado só ter explodido para o futebol internacional guiado pela mão do argentino? Tudo isso contribuirá para falarmos de paixão, dado que os jogadores fazem tudo por Simeone.

Mas o mesmo se passará no Chelsea de Mourinho, que poderá inovar com pedidos de esforço defensivo a Eto’o, ou transportando algum jogador da sua posição mais habitual para cumprir um plano específico de neutralização do adversário. A idade não aburguesou Mourinho, que vai continuando a ter a capacidade para criar conflitos que lhe foi sempre reconhecida. Mas paixão é algo que não se pode negar, também, ao português.

Um exclusivo do coração?

A verdade é que as intervenções públicas de Diego Simeone e José Mourinho estão, muitas vezes, carregadas de uma rugosidade e de um léxico de luta que leva a que os analistas leiam como paixão aquilo que é planeamento puro e duro. Sim, ambos pedem tudo aos jogadores e só atletas extremamente dedicados sobrevivem nas suas equipas. Mas Simeone e Mourinho conquistaram o seu espaço como técnicos dada a fabulosa preparação que as suas equipas apresentam. Não será assim um exclusivo do coração aquilo que se poderá assistir, esta noite, no Vicente Calderón. Contem, isso sim, com duas grandes equipas preparadas para encontrar a melhor forma de chegar à vitória.

Boas Apostas!