Depois de uma época para esquecer, o Porto orquestra uma verdadeira revolução do plantel. São inúmeros os reforços, jovens e de qualidade, a chegar ao Olival. Mas sem dúvida a maior contratação azul e branca desta temporada é Julen Lopetegui, o novo técnico que vem operar a mudança.

Regresso às origens

O terceiro lugar na Liga Portuguesa é algo a que o clube do Dragão não está habituado. Paulo Fonseca foi uma aposta que deu errado. A estrutura altamente eficiente e profissional, base dos muitos sucessos do Porto, não desapareceu. Mas foram demasiados anos consecutivos duma política de compras no mínimo questionável mas que foi chegando para a concorrência. Agora fala-se do regresso às origens, recuperar o modelo de jogo e os valores de entrega e garra que identificavam o clube portista. Para isso, Jorge Nuno Pinto da Costa, escolheu Julen Lopetegui, um basco de quarenta e sete anos. Talvez porque aos santos da casa é muito mais difícil realizar estes milagres de rutura.

O currículo faz-se

Foram muitas as vozes que se levantaram para por em causa a escolha. Porque não um português? Devia ser alguém mais experiente, mais autoritário para agarrar o balneário. E há ainda a sombra da influência Jorge Mendes. Em cada adepto há não só um treinador de bancada como também um presidente. É verdade que Lopetegui não tem currículo de monta enquanto treinador principal. Ao nível de clubes, pelo menos, já que passou apenas pelo Rayo e sem grande sucesso. Mas por onde passou, mesmo enquanto jogador, era reconhecido como um homem inteligente e um líder, importante para a estabilização do balneário. E depois, esteve quatro anos como responsável técnico das camadas de formação da seleção espanhola. É verdade que o trabalho é bastante diferente, sobretudo nas operações do dia-a-dia. Mas ser selecionador espanhol de sub-19, sub-20 e sub-21, é uma posição de grande responsabilidade e exigência. Ao contrário do que muita gente pensa, não é qualquer um qualquer um que o faz. A qualidade de base existe porque em Espanha se fez escola, e não só no futebol. Foram criadas linhas muito claras do sistema preferencial, tipos de jogadores, identificação de talentos e como desenvolvê-los. Não é fruto do acaso, assim como não o foram os dois títulos de Campeão da Europa, conquistados por Lopetegui ao comando dos Sub-19, em 2012, e Sub-21, um ano mais tarde.

As armas de Lopetegui

PortoLopetegui foi guarda-redes profissional. Formou-se na Real Sociedad, de onde seguiu para o Real Madrid, Logroñés, Barcelona e Rayo Vallecano. É bem visto e mantém boas relações com os dois gigantes espanhóis. Para o bem e para o mal, tem os contactos e acesso que a Gestifute proporciona. Mas, a meu ver, são duas as mais-valias que o distinguem. A primeira é o conhecimento do mercado espanhol, especificamente dos jovens que lhe passaram pelas mãos nas camadas jovens de Espanha. Conhece-lhes o talento, a margem de progressão, as personalidades e até as situações pessoais e profissionais de cada um. Em segundo lugar, tem a confiança de muitos desses agentes, não só dos jogadores como dos clubes, que o veem como uma aposta segura a quem confiar os seus ativos para uma maior valorização e crescimento.

Concorrência saudável no balneário

Os primeiros tempos de Julen no Porto foram discretos. Veio para observar e as alterações começaram nos bastidores, sem alarido. A pré-época revelou um treinador muito exigente e interventivo, constantemente a dar indicações para o relvado e a reajustar pormenores. Os jogadores parecem gostar que puxe por eles e os mais novos agarram a oportunidade para aprender e se mostrar. Os ingressos de Daniel Opare, Oliver Tores, Yacine Brahami, Adrián López, Bruno Martins Indi, Cristian Tello e Casimiro prometem uma equipa explosiva, que trabalhe bem a bola. Uma coisa é certa, o balneário vai ser bem competitivo. Há opções de qualidade a competir por todas as posições de campo. E no banco está o reforço decisivo, aquele que o plantel acredita que vai fazer a diferença. Do ambicioso Lopetegui se espera um Porto à Porto.

Boas Apostas!