Terminou a Liga NOS 2015/16 e podemos dizer que há muito tempo não se vivia um campeonato com tanta emoção, tanta disputa dentro e fora de campo e, sobretudo, com tantos craques a transformarem as suas equipas em sensação.

Mas antes de fecharmos definitivamente o arquivo desta Liga NOS, foquemo-nos nos sete pontos que merecem ser destacados no final das 34 jornadas.

O melhor campeonato de sempre

Para começar, vivemos um ano de recordes, com o Benfica a somar 88 pontos e o Sporting 86. De destacar, também, a produção ofensiva dos encarnados, voltando a colocar um jogador do campeonato português (Jonas) na luta pela Bota de Ouro europeia. Portugal também foi, este ano, base de vários jogadores que estarão como titulares na Seleção Nacional, como Rui Patrício, Eliseu, William Carvalho ou Danilo Pereira e João Mário. Para além de Jonas, outros jogadores estrangeiros de elevado calibre, como Mitroglou, Teo Gutierrez, Bryan Ruiz, Casillas, Layún e Corona se juntaram a uma lista onde também brilhavam Maxi Pereira, Gaitán, Slimani, Brahimi e muitos outros. A revelação da Liga, Renato Sanches, assinou pelo Bayern por 35 Milhões (mais prémios futuros) e outros jovens, como João Mário, William Carvalho ou Éderson podem seguir-lhe as pisadas (e os contratos milionários). Foi um ano especial para a Liga NOS. Disso ninguém pode duvidar.

O campeão da adaptação

Jonas e Rui Vitória

Jonas e Rui Vitória terminaram no topo da Liga NOS

Poucos poderiam prever a capacidade de adaptação de Rui Vitória ao seu novo contexto. Depois de passar por Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães, o técnico tinha o maior desafio da sua carreira. O técnico hesitou, nos primeiros meses, entre apostar forte na sua identidade tática ou apostar nas dinâmicas que a equipa tinha adquirida. Os maus resultados desse período inicial da temporada fizeram-no apostar pela segunda via. E aí, Vitória mostrou como o adaptar-se ao contexto é uma característica de treinador campeão. O título fica-lhe bem.

Ter Jorge Jesus é evolução

É a armadilha da análise no alto rendimento, focar a atenção nos resultados e ignorar os processos. Mas, tal como havia comprovado antes no Belenenses, no Braga ou no Benfica, ter Jorge Jesus, na Liga NOS, é sinónimo de evolução. Os Leões estiveram na luta pelo título até à derradeira jornada, fizeram mais dez pontos, marcaram mais treze golos, sofreram menos oito. Aquilo que ficou demonstrado é que, mais do que os reforços conseguidos, o Sporting teve no seu treinador uma chave para evoluir. O passo seguinte, com a casa arrumada, será então chegar aos títulos. No próximo ano, a pressão está toda em cima do Sporting.

Um Porto sem rumo

Depois de ter feito uma aposta enorme em Julen Lopetegui e na construção de um plantel à imagem do técnico espanhol, o FC Porto decidiu despedi-lo quando estava a quatro pontos do Sporting e com os mesmos pontos do Benfica. Mesmo tendo em conta a falta de apoio dos adeptos e a inconstância dos azuis e brancos, esta pode ter sido a pior decisão tomada ao longo da temporada por uma das equipas em prova. A mudança de treinador acalmou as bancadas, mas precipitou a queda em termos de rendimento. José Peseiro leva uma vitória no Estádio da Luz para relembrar deste campeonato, mas neste momento, vencendo ou perdendo a Taça de Portugal, tudo indica que voltará a fazer as malas para o estrangeiro.

A Europa antes da autoestrada

Lito Vidigal Arouca

Lito Vidigal liderou o Arouca até à Europa

A qualificação do Arouca para a Liga Europa é, em primeiro lugar, um prémio para uma família que tem investido forte em transformar uma localidade onde a autoestrada ainda não chegou na sede de um clube profissional e cumpridor no panorama do futebol português. É, também, um prémio para o treinador Lito Vidigal que começa a demonstrar que, esteja onde estiver, também ele sabe como levar uma equipa à Europa. Finalmente, para os jogadores que compõem este plantel, a confirmação de que a estabilidade e a competência são, em última análise, o melhor caminho para chegar ao sucesso. Uma mensagem que várias outras equipas deveriam compreender.

Consolidação em Braga e Vila do Conde

Por falar em estabilidade e competência, o SC Braga e o Rio Ave voltam a cumprir com os objetivos exigentes que delinearam no início da época. Os bracarenses asseguraram sem problemas o quarto lugar, ao mesmo tempo que fizeram figura na Liga Europa e vão disputar, ainda, a final da Taça de Portugal, depois de também terem chegado às meias-finais da Taça da Liga. O Rio Ave, depois de outras saídas durante o verão, disseram adeus a Hassan logo nas primeiras jornadas da Liga e, ainda assim, não deixaram de acreditar que poderiam manter a sua candidatura à Liga Europa. Conseguiram-no na derradeira jornada e não, não foi por acaso.

O milagre do Tondela

Quando saiu do Boavista, equipa que se confundia consigo mesmo, Petit estava marcado como um treinador de insucesso. Não que o seu Boavista não se mantivesse, como no ano passado, a lutar com as armas que tinha contra a eventualidade de uma descida. Mas porque, empurrado pela necessidade, o treinador parecia, demasiadas vezes, focar-se apenas num dos momentos do jogo, o defensivo. Aceitar ir para Tondela, que estava também condenado, foi uma espécie de encontro entre uma pessoa e uma equipa nos quais ninguém acreditava. Talvez esse tenha sido o motor da reação dos tondelenses. Mas foi a jogar futebol, consciente das suas limitações, mas férreo na exigência que coloca aos seus jogadores, que Petit e o Tondela renasceram do mundo dos mortos. Os milagres acontecem.

Para a próxima época, há mais!