Há algo que é constante nesta equipa do SL Benfica de Jorge Jesus: a sua inconstância.

Não há duas alegrias consecutivas. Certo, no final da temporada passada, o SL Benfica ganhou 3 títulos. Mas, e o que perdeu entre eles? A final da Liga Europa, o jogo nas Antas… Enfim. isto é o que, infelizmente, tem caracterizado a equipa montada por Jorge Jesus.

Na sexta temporada que Jorge Jesus leva de clube, só por duas vezes é que ganhou o Campeonato Nacional da Primeira Liga. E não foram seguidas. Por isso esta fobia que parece ter tomado conta do clube, dos jogadores e do treinador para ganhar a Primeira Liga este ano e garantirem um bi-campeonato, coisa que não acontece na vida do clube há anos, perdidos nas brumas do tempo.

Este SL Benfica é bipolar. Como é que de outra forma se pode perceber um clube que depois de ter ido ganhar por 2 a 0 a casa do seu maior rival, o FC Porto, perca, 3 dias depois, em sua casa, com o SC Braga, por 2 a 1, depois de ter estado a ganhar? E com história pelo meio: foi a primeira vez que o SC Braga foi ganhar à Luz. Parabéns, guerreiros. Parabéns, Jorge Jesus, por mais um recorde batido. E também significou o fim de mais de 1000 dias na Luz sem derrotas. A última tinha sido com o FC Porto, em 2012, por 3 a 2, e tal resultado significou o adeus encarnado ao título. A constante inconstância deste SL Benfica a manter-se. Como numa montanha russo. Cima, baixo. Bem, mal. Ganhar, perder.

Que SL Benfica Foi Este?

Mas de onde veio a inconstância de ontem?

Na baliza, Júlio César fez uma defesa e sofreu 2 golos. O SC Braga fez 3 remates à baliza. Grande eficácia dos bracarenses. O guarda-redes brasileiro não teve culpa nos golos, mas também não teve a excelência de Kritciuk, o guardião do SC Braga. Não foi por ali, no entanto, a inconstância.

Kritciuk

Kritciuk foi uma verdadeira muralha contra o ataque benfiquista. Só não conseguiu defender o golo de Jonas, de resto…

Na defesa… Pois, na defesa faltou defesa. Este quarteto ajuda a explicar muito da coisa má que contaminou o SL Benfica. Maxi Pereira foi o defesa mais esclarecido, o único inconformado, e com uma exibição raçuda, como é seu apanágio. Fechou bem o seu corredor, e subiu melhor ainda pelo terreno adversário e foi dele o cruzamento para a cabeça de Jonas, que inaugurou o marcador. E está o SL Benfica a demorar a renovar o contrato com o jogador. Há coisas que não se percebem.

Ainda para mais quando, olhando para o lado de Maxi Pereira e só se vê o vazio. No outro extremo, André Almeida teve o azar do jogo. Por vezes sofre o problema da sua polivalência e não se agarrar a nenhuma posição. Não se compreende porque é que Jesus, que tem um lateral esquerdo de raiz, Benito, não o põe a jogar. Se acha que não tem lugar na equipa, não deveria lá estar. E até Sílvio que esteve no banco no jogo do campeonato com o FC Porto não foi convocado. Porquê, Jorge Jesus? Porquê essa constante adaptação de outros jogadores, quando tens elementos próprios para esses lugares?

Quanto aos centrais, mais do mesmo, uma vazio assustador. Jardel, já foi dito mais que uma vez, não é jogador titular para o SL Benfica. Quanto muito, um suplente que pode colmatar algumas falhas, ou ausências. Jardel não é, nem nunca será, um substituto de Garay. E César, que ontem foi muito insuficiente, precisa de tempo, precisa de minutos de jogo, mas provavelmente contra outras equipas, em jogos de menor dificuldade, exactamente como Lisandro López. Mandados às feras não podem fazer mais do que o que fazem. Claro que se notou a falta de Luisão. Mas o SL Benfica e Jorge Jesus têm de estar preparados para isso. Afinal, quantos anos Luisão já tem? É normal que se comece a pensar na sucessão. Mas uma equipa que optou por não arranjar substituo para a saída de Ezequiel Garay, não estará preocupada com a reforma do capitão. Por vezes, Jorge Jesus, que garante estar sempre a pensar no amanhã, parece que não pensa mais do que, arrogantemente, no próximo jogo. Depois de arredado da Europa, arredado da Taça de Portugal. Quando Jorge Jesus afirmava que havia ainda muita coisa para ganhar internamente. Mas aos poucos, começa-se a perder essas coisas.

Pardo

Pardo marcou o segundo golo do SC Braga e mandou o SL Benfica para fora da Taça de Portugal

No meio-campo, o lugar de trinco, posição muito querida e muito importante nas equipas de Jorge Jesus (lembrar a importância de Javi Garcia, Matic, Fejsa ou Rúben Amorim) foi deixada à responsabilidade de Bryan Cristante, um menino, ainda verde e em fase de aprendizagem. Ele que deveria aparecer, esporadicamente, para acumular minutos e experiência, é lançado à responsabilidade de ser o primeiro na linha defensiva do SL Benfica perante o ataque de uma equipa agressiva como o SC Braga. Ao seu lado, e durante meio jogo, esteve Enzo Pérez, que não foi o jogador essencial que costuma ser, embora tenha sido, provavelmente a sua ausência no segundo tempo, a razão da vitória do SC Braga. Provavelmente, Enzo Pérez terá feito, na primeira parte, o último jogo pelo SL Benfica. Terá sido por essa razão que Jorge Jesus o substituiu por Pizzi, que tão boas indicações deu no jogo com o Bayer Leverkusen. Mas Pizzi, que não incomodou, nem fez uma má segunda parte, não é Enzo Pérez, nem está rotinado, nem com ritmo de competição. Embora se possa vir a tornar numa referência no meio-campo encarnado, ainda não está pronto para assumir as responsabilidades que Enzo Pérez congregou em si.

Com a lesão, no Domingo passado, no Dragão, Sálvio foi substituído por Ola John que tem crescido a olhos vistos. Mas tem de aprender a dosear as suas energias, é que não é Maxi Pereira quem quer. Ola John que até começou bastante bem, forte, rápido e endiabrado, ofuscou-se, cansado, quando a equipa mais precisava dele, ou seja, na recta final do jogo quando, a perder, o SL Benfica precisava urgentemente de um golo. Por seu lado, Nico Gaitán foi igual a si próprio, consistente, competente e bonito a jogar. Mas é só um e, sozinho, não pode fazer milagres. Por vezes parece que está só contra o Mundo. Por vezes parece que é o único jogador inconformado da equipa. Por vezes parece que está sozinho numa equipa de onze.

No ataque, Lima vinha de uma noite de sonho do Dragão, mas depressa voltou a ser o velho Lima dos últimos tempos, de golo difícil, desamparo e solitário. Quanto a Jonas, marcou o golo e fez brilhar o guarda-redes bracarense com a quantidade de defesas que o levou a fazer para lhe negar o golo. Jonas é, a par de Gaitán e Maxi Pereira, uma das melhores peças encarnadas, que os benfiquistas só lamentam não ter começado mais cedo nos jogos da época. Promete ainda muitas coisas bonitas, assim o resto da sua equipa o saiba municiar.

Jorge Jesus como Lopetegui

E no final do jogo parecia estar-se a reviver o final de Domingo, quando Lopetegui disse que o FC Porto tinha sido a melhor equipa em campo, que tiveram o azar do jogo, e que o SL Benfica marcou 2 golos com 2 remates à baliza, mas que tinha a certeza que, no fim, o FC Porto iria ser campeão. Não que Jorge Jesus possa dizer que o SL Benfica, no fim, ainda vai ganhar a Taça de Portugal, que não pode, embora seja algo que o treinador do SL Benfica pudesse ter dito, mas que a sua equipa não merecia este desfecho e que este tinha sido o melhor jogo do SL Benfica esta época, na Luz.

Jonas

Jonas tem sido um oasis no ataque encarnado. Joga, dá a jogar e marca golos

Ontem, como a equipa do FC Porto sob a direcção de Julen Lopetegui, o SL Benfica jogou, dominou, teve o dobro da posse de bola, fê-la circular e, perdeu o jogo.

Jorge Jesus clamou que a culpa foi do jogo de Domingo, no Dragão, que deixou mazelas, provocou ausências e lesões. Mas isso não é o dia-a-dia do futebol? E não é por isso que as equipas têm mais que 11 jogadores?

E assim, neste momento, e ao contrário de FC Porto que, estando fora da Taça de Portugal, ainda está na Liga dos Campeões, para além da Taça da Liga, do Sporting CP que, ainda está na Liga Europa e nas Taças de Portugal e da Liga, embora o Campeonato lhe esteja já um tanto distante, o SL Benfica não só foi arredado da Europa, como, agora, foi eliminado da Taça de Portugal. Resta-lhe a Primeira Liga, que não pode deixar fugir, e a Taça da Liga, que se tornou, já, um troféu que o SL Benfica conquista com orgulho. Valha-lhes nisto tudo, a Supertaça Cândido de Oliveira conquistada no início da época e que já não pode fugir.

Entre os altos e baixos de uma equipa que Jorge Jesus tem conduzido como uma amontanha russa, esperam os benfiquistas que, nos próximos jogos importantes, a equipa esteja numa fase alta, para poderem levar de vencida o que já é uma sina do treinador: a dificuldade de ganhar jogos chave e contra adversários directos (o FC Porto no Dragão acabou por ser um excepção).

Mas ao fim de tanto tempo e experiências, Jorge Jesus já tinha obrigação de fazer e conseguir muito mais. Embora assim, como o SL Benfica é, traz muito mais animação aos adeptos, que nunca sabem que SL Benfica vai sair da cartola do seu treinador. Mas será sempre uma inconstância, constante.

Quanto ao SC Braga, foi uma equipa aguerrida, bem montada pelo seu treinador, Sérgio Conceição, que mereceu, na Luz, ter seguido em frente na Taça de Portugal.

Boas Apostas!