Nunca ouve tanto dinheiro disponível na Premier League. Os novos contratos de direitos televisivos, o investimento chinês e a internacionalização crescente do produto vieram engordar os orçamentos de todos os clubes da liga. Mas também trouxeram novas e acrescidas responsabilidades. A classe média mais rica da Europa (do futebol) não se pode deitar a gozar os rendimentos. Precisa de reinvestir para não ser ultrapassada e nunca a concorrência foi tão feroz.

Evoluir para não ser ultrapassado

O conto de fadas do Leicester na época passada veio provar cabalmente que com gestão inteligente e sensata mesmo o clube mais modesto pode por os olhos em objetivos extraordinários. Com todo o dinheiro a entrar na Premier League há um conjunto de emblemas, que habitualmente se acotovela pelo meio da tabela, que está a ser confrontado com o desafio: evoluir ou ser ultrapassado. São agora a classe média mais abastada da Europa, a competir numa liga onde os predadores de topo são multimilionários capazes de aliciar jogadores de elite mesmo sem a sedução da Liga dos Campeões. Não estão no topo da cadeia alimentar mas têm que ser inteligentes para sobreviverem no lago dos tubarões.

Ambição com pés e cabeça

Com a injeção de capital clubes como o West Ham podem segurar jogadores como Payet.

Vender os melhores ativos para realizar capital deixa de ser uma obrigatoriedade para clubes da dimensão do West Ham.

Habitualmente, os clubes do meio da tabela são aqueles que chegando o verão não conseguem evitar perder um ou dois jogadores que fizeram a diferença na época anterior, o que os obriga a recomeçar. É um mecanismo inevitável para equilibrar as contas. Era. Pelo menos na Premier League. Esta é uma das primeiras evidências desta injeção de capital fresco. Slaven Bilic manifestou grande satisfação pelo facto do clube que orienta ter sido capaz de manter Dimitri Payet no plantel. O francês esteve em destaque no Euro 2016 e chegou a ser veiculado como hipótese para o Real Madrid. Mas o West Ham, precisamente porque viu o orçamento alargado, pode resistir a esse encaixe financeiro imediato. Os Hammers não se ficaram por aqui. Foram ao mercado assegurar reforços de qualidade para contracenar com Payet. Feghouli, Calleri e André Ayew são as apostas mais recentes.

Como histórico do futebol inglês, o Everton percebeu, na temporada passada, que tinha que dar o salto ou se arriscava a ficar irrelevante. Anos e anos a aspirar à manutenção e jogar bonito já não chega para os adeptos. Sobretudo quando o rival Liverpool está em ascensão e vêm clubes como o Leicester chegar ao título. Porque não nós, perguntam, e a direção teve que mostrar ambição. Fora buscar Ronald Koeman ao Southampton e deram-lhe condições para um projeto sustentável que queira ir longe. Roberto Martínez não tinha qualquer interessa pelo lado defensivo da equipa e é sobretudo aí que o holandês está a atuar.

Dores de crescimento para Saints e Swans

A ida de Koeman para o Everton cria grandes expetativas em Goodison Park mas deixou os Saints em suspenso.

A ida de Koeman para o Everton cria grandes expetativas em Goodison Park mas deixou os Saints em suspenso.

Koeman não foi o único a abandonar os Saints neste defeso. Wanyama saiu para White Hart Lane e Sadio Mané abraça novos desafios em Anfield. Para substituir o holandês o Southampton foi buscar Claude Puel. O francês, que vem do Nice, venceu a Ligue 1 com o Mónaco no último ano do século passado. Mas terá as qualidades específicas para manter o nível do que Koeman e Pochettino deixaram? Quando a volta se vê uma verdadeira corrida ao armamento, os Saints parecem algo parados.

No polo oposto temos o Swansea. Tem havido muita ação no clube galês, quase nos sentimos a dizer que demasiada para dar bom resultado. Francesco Guidolin tratou de aliviar o plantel de elementos que não entravam nos seus planos no início do verão. Mas de repente assistiu à partida dos seus melhores jogadores – Ayew e Williams – para concorrentes diretos, sem que a direção dos Swans acautelasse substitutos à altura. Saíram de Swansea quatro avançados e foram contratados dois, ambos espanhóis. Fernando Llorente e Borja Bastón têm que começar rapidamente a justificar o dinheiro investido. De repente, as perspetivas dos galeses caíram a pique.

Ter muito dinheiro nas mãos é uma oportunidade mas também representa um enorme desafio. Porque quem não for cirúrgico e inteligente a reforçar efetivos e redefinir metas pode facilmente ser ultrapassado. O exemplo do Newcastle, na época passada, pode servir de aviso a muitos.

Boas Apostas!