Sete são as virtudes.

Sete são as maravilhas do Mundo.

Sete é o número que acarreta grande misticidade em várias religiões.

Sete é o dorsal que, recentemente, Cardozo deixou a Samaris.

Sete são alguns dos principais momentos/situações selecionados(as) que definiram o bicampeonato benfiquista, a festa do 34º da história do Sport Lisboa e Benfica.

1 – Arranque com Vitória

A caminhada benfiquista rumo a um bicampeonato, que não celebrava há 31 anos, começou com o desvanecimento de um fantasma que pairava sobre as rondas inaugurais.

Os encarnados não venciam em estreias no campeonato há nove (!) temporadas, sendo que na pretérita temporada até tinham saído vergados do primeiro duelo, precisamente na deslocação ao reduto do Marítimo. Frente ao Paços de Ferreira, de Paulo Fonseca, treinador que tinha defrontado Jorge Jesus na temporada anterior ao leme do principal rival na corrida ao título, o Benfica abriu o campeonato com um tranquilo triunfo no Estádio da Luz, por 2-0, cortesia de Maxi Pereira e Salvio.

O Benfica de Jesus voltou a vestir o papel de caça-fantasmas, contrariando registos negativos, à semelhança do que já havia feito com outro tipo de situações – relembramos que foi com Jorge Jesus que o Benfica venceu, pela primeira vez, na Alemanha. Não foi dos momentos mais decisivos, é certo, mas nota para um positivo arranque do bicampeão, algo que não se registava há bastante tempo.

2 – Surgimento de Jonas

Jonas

A chegada de Jonas, ainda por cima a custo zero, veio revolucionar o ataque do Benfica

Assinou já depois da janela de transferências ter fechado, na sequência da rescisão com o Valência.

Hoje é quase que unanimemente considerado como o melhor reforço dos clubes portugueses no defeso, isto tendo até em conta o facto de ter chegado a custo zero.

Aos 31 anos, Jonas atravessa um dos melhores períodos da carreira e não teve dificuldades para se impor. Aliás, marcou logo na estreia e fez questão de se afirmar como o matador das águias, repartindo, no entanto, os louros com Lima.

Formando dupla no ataque, primeiramente com Talisca e, depois, com Lima, veio dar novo fôlego ao ataque do Benfica num estilo muito próprio, de delicioso recorte técnico, inteligente e extremamente sagaz. Se o sucesso do Benfica passou pelos pés de vários intérpretes que não devem ser desconsiderados, Jonas merece-nos destaque pois veio acrescentar inegável qualidade ao ataque do Benfica e preencheu uma importante lacuna no plantel, solucionando uma situação que preocupou os benfiquistas aquando do fecho do mercado.

3 – Afirmação de Júlio César

Win-win situation. Tanto para o clube, como para um guarda-redes que procurava reencontrar-se e reafirmar o valor que já lhe fora reconhecido entre os postes.

Embora no início tenha passado por tempos difíceis, condicionado por lesões, conseguiu debelar a situação e convencer os mais céticos quanto à sua condição.

Numa fase em que Artur estava longe da melhor forma, Júlio César ganhou-lhe o lugar e veio dar uma outra segurança à defesa que o seu compatriota, no estado de forma descrito, era incapaz de dar. Também o carisma da figura de Júlio César é um elemento importante a considerar. Um experiente guarda-redes que já conquistou a Europa e se assume como um líder dentro e fora de campo. Veio, enfim, dar uma necessária estabilidade a uma equipa pragmática e sólida no setor recuado. Durante os festejos do 34º título, afirmou-se reestabelecido da goleada sofrida diante da Alemanha no Mundial.

4 – Lima, o Caça-Dragões

Lima

Num ano em que até esteve bastante perdulário, os dois golos de Lima, na vitória do Benfica no Dragão, foram muito importantes para a conquista do título

Vencer um clássico é sempre bom, seja em que altura for. Na casa do rival, melhor ainda.

Por isso, apesar de ter sido ainda na primeira volta, a vitória do Benfica, no Dragão, não deve ser desconsiderada na hora de abordarmos os momentos que marcam/se revestem de importância nesta conquista do bicampeonato.

O bis de Lima, que gelou o Dragão naquela noite de 14 de dezembro, galvanizou psicologicamente o campeão nacional para a revalidação do título. De resto, o clássico do Dragão foi o único dos quatro grandes jogos, na presente temporada, que o Benfica conseguiu vencer. Nos outros três, registaram-se empates.

5 – Jardel, Herói Fora-de-Horas

Quando Jefferson marcou, à beira do fim, e Alvalade explodiu, pressagiava-se o pior.

Mais que no que à questão da pauta classificativa diz respeito, o Benfica sofreria nova derrota cerca de 15 dias depois de sucumbir em Paços de Ferreira. Já em tempo de compensação, no remate final de um encontro em que, diga-se a bem da verdade, o Benfica não conseguiu exibir-se ao nível que se lhe exigia, a estrelinha de campeão brilhou.

Jardel, o guerreiro do eixo encarnado que venceu a desconfiança e se assumiu como um dos pilares na conquista do 34º, marcou e deu um ponto importantíssimo ao Benfica.

6 – Queda em Vila do Conde Amparada na Choupana

Jornada 26.

O Benfica, embalado para o título, joga cartada decisiva em Vila do Conde frente a uma valorosa formação do Rio Ave que, em princípio, não facilitaria a tarefa dos comandados de Jorge Jesus.

Nico Gaitán

Nico Gaitán é o grande representante do melhor que a América do Sul tem no Benfica

A tarde até começou bem, com um golo de Salvio que deu vantagem madrugadora ao Benfica, mas o desenrolar do encontro revelaria um Rio Ave afoito, que se chegou insistentemente à frente e acabou por colher os frutos de uma exibição desinibida. Já em tempo de compensação, Yonathan Del Valle bateu Júlio César, para o 2-1, e colocou o campeão a caminhar sobre brasas, expectante quanto ao desfecho do Nacional x FC Porto que se jogaria mais tarde. A ilha da Madeira, uma vez mais, foi madrasta para o emblema azul e branco. Ao contrário do que costuma ser habitual neste tipo de situação, – e os últimos anos ilustram e sustentam a ideia – o Porto falhou uma soberana ocasião para ganhar terreno e arrancar para a reconquista do ceptro.

Daí em diante, o Benfica não mais claudicou. A águia seguiu imaculada, de jornada em jornada, caminhando firmemente para o 34º, e o empate caseiro frente ao FC Porto serviu as respetivas aspirações.

Restavam, então, quatro jornadas para o término do campeonato. Implacável na Luz, faltavam duas jornadas fora-de-portas. Uma em Barcelos, frente a um Gil na luta pela manutenção (curiosamente seria despromovido no dia em que o Benfica se sagrou bicampeão nacional) e onde o Benfica deixara pontos na época anterior, e outra no Castelo vimaranense.

7 – Goleada ao Gil

Podemos considerar dois tipos de Benfica nesta caminhada rumo ao 34º: um imparável em casa, com um futebol atraente e decidido em passear classe pelo relvado da Luz; e outro que, nos jogos fora, muitas vezes vestia a pele de cordeiro e rubricava exibições mais desinspiradas.

Assim foi, a título de exemplo, em Braga, Paços de Ferreira e Vila do Conde.

Em Barcelos, o Benfica não deixou contas por mãos alheias. No penúltimo confronto fora de portas, e a escassos passos do título, avançou destemidamente e fortemente apoiado pela onda vermelha. Com a certeza de quem acredita no objetivo pelo qual corre e o persegue incessantemente. Com a firmeza de um bicampeão que funcionou muito à base da união.

Boas Apostas!